domingo, 6 de agosto de 2006

Poeminhos: O sete / I-n-s-p-i-r-a-ç-ã-o

"...O poeta é um fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente..." (Fernando Pessoa)

Em certos momentos eu me identifico muito com os versos do imortal poeta lusitano...
Aproveitando o mote, vou postar abaixo alguns "poeminhos" (viva Quintana!), que fiz logo no começo deste inverno...

O sete

Naveguei pelos sete mares
e mergulhei as sete mil léguas,
buscando o sétimo céu
e descobri : depois do sete,
o infinito...

Perdoei setenta vezes sete
para que o amor retornasse
depois de sete dias,
para tanto eu paguei
com setenta e sete moedas
e uma de minhas sete vidas...

Pois tudo que começa
tem seu ciclo e finda
em sete horas, sete dias,
sete luas, sete meses,
sete anos, sete versos,
sete reses...

Dividi meu coração em sete pedaços
e os enterrei em sete cantos
para que um deles, dentre tantos
encontrasse a felicidade...

Dividi a minha casa em sete cômodos
e habitei cada um deles simultaneamente,
com meus temores e desejos,
para fugir da solidão...

Dividi o romance em sete capítulos
e do girassol fiz bem-me-quer,
despetalei quase todo o livro
e não encontrei as palavras certas...

Dividi o amor em sete faces
cada qual com seu esfíngico enigma
a interrogar-me, e respondi: devora-me,
pois já não me decifro mais...


I-n-s-p-i-r-a-ç-ã-o

Quando a brisa fresca bate
e o cachorro late,
os olhos brilham
e os sonhos fervilham...

Quando o universo explode
e a poeira sacode,
os átomos atraem
e as moléculas contraem...

Quando a sombra termina
e a semente germina,
o calor aquece
e o membro enrijece...

Quando as flores exalam
e os amantes calam,
um novo dia nasce
perante ti, face a face...

Quando o sol desponta
e sobre o horizonte monta,
sob a mesa o estorvo,
o invulgar e incômodo novo...

um segundo novo
um momento novo,
um novo mundo novo,
diferente,
pisca à nossa frente, num estremeção,
a isto chamo inspiração...

7 comentários:

Tamara disse...

É...! O poeta finge a dor. Ele completa a minha mente e também creio que ele escreve a minha dor.

.............
Setecentas mil vezes: ADÃO FLEHR. Eu "queria poder" aproximar o meu escrever vagabundo...

.............
Isso é insPIRADÍSSIMO, meu caro.

.............
Hoje, minhas emoções explodiram no espetáculo da minha mãe e fechei a madrugada com chave de ouro LENDO-TE.

B-jos.



P.S.: Pelo visto peguei fresquinho.

LEA MARTINS disse...

Oi lindo, gostei dos "poemas de inverno" hehehehe
vc está inspirado. è o frio??


sds / Léa

Lidiane disse...

Adão, que você estremeça e inspire.
Depois, expire o sol que gira a flor.
Faça do seus sete corações um,
e no reverso do poema, viva o seu bem querer.

Beijo grande.

Sua amiga Rossana disse...

E que dos sete amores um infinito tenha se formado em seu coração pra que tenha espaço pra todos q te gostam e te admiram..
Meu querido amigo poeta... comida alimenta o corpo mas poesia alimenta a alma.
Obrigada por esse sensacional "Café da manhã de segunda feira"
Beijos e boa semana pra vc.

ALEX FERREIRA disse...

Caro Adao,
Teus versos sao sonoros e quero escuta-los setenta vezes sete!

um forte abraco,

Tamara disse...

Minha mãe canta em coral. E o espetáculo foi: "Toda forma de cantar". Coisa linda! Eles cantaram o "Aleluia" de forma erudita, depois em ritmo de forró, rock, samba... ficou muito animado. Eu me emocionei muito, gritava: "É minha mãe!".

rs rs rs rs

CLÁUDIO disse...

FALA ADÃO

CARA A PROXIAM VEZ QUE TE ENCONTRAR VOU TE PEDIR UM AUTOGRAFO RRSRRSRSSRSRS

ABRAÇAO,

CLÁUDIO

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