21 Agosto 2009

Desejos

Michael Dinneen /AP

Desejo a vocês...

Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.


Drummond. (17/08, Vinte e dois anos, diariamente)


(Desejo a vocês, a mim e a você...)



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13 Julho 2009

O encanto das palavras




“ Nenhum homem pode modificar a sua história,
mas pode reescrevê-la a qualquer tempo..."



Esta frase já foi enunciada inúmeras vezes por díspares intérpretes:
homens santos e homens vãos, virtuosos e patifes,
bem intencionados e oportunistas...


As palavras podem ser pinçadas propositalmente ou despretensiosamente,
não importa


Que elas quedem mudas, ou gritem alto,
é indiferente


Seja o seu escritor um gênio ou uma farsa,
nada importa...


As palavras criam asas e formas e tornam-se vivas,
apenas perante os sentidos
do leitor...


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10 Maio 2009

Singela questão



Ainda que o tempo turve,
a voz emudeça
e a pena desça,
num féretro sem corpo presente

Às vezes ressoa um sol indiferente
à tua vigília,
postado à mesa
numa singela questão:

Tem alguém aqui?


19 Outubro 2008

Previsão do tempo


(Foto: Carolina Lauriano / G1)


Forte neblina, com chuvas constantes... Sem previsão de melhoras...
Mas, conforme bem disse uma querida amiga, o peso que carrego me torna cada vez mais leve...

31 Agosto 2008

Viver imperativo


(Foto: Anderson Clayton/G1)
Crê
Nem toda promessa é falta
Nem todo crime é pena
Nem toda dor mata...


Na pauta da areia fina
No olho desta tormenta serena
No espelho d’água da retina...


Para a montanha, o vulcão
Para o silêncio, o grito
Para o frio de Agosto, o verão...


Que a roleta permanece rodando
O músculo persevera hirto
E eu continuo voltando...
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12 Junho 2008

Os "Filhos Daspu"



Que tal falarmos um pouco de cultura, moda e economia?

O afoxé “Filhos de Gandhy”, fundado por estivadores portuários da cidade de Salvador. em 1949, tornou-se o maior e o mais belo Afoxé do Carnaval da Bahia. O Bloco desfila nos dias de carnaval, e em dias festivos como a Festa de Yemanjá e a Lavagem do Bonfim .

A Grife “Daspu”, fundada por prostitutas cariocas em 2005, que, reunidas em associação, confeccionam e comercializam roupas de festa, figurinos básicos e o que chamam de modelitos de “batalha” – saias, vestidos e blusas ideais para exercer a mais antiga profissão.
A grife sempre pega carona no “Fashion Rio”, como hoje, 12/06/08, às 20h, na quadra da Unidos da Tijuca para lançar suas alegres coleções.

A CSS, Contribuição Social para a Saúde, foi embutida por lei complementar ao projeto que regulamenta a Emenda 29, que destina maiores recursos para a área da saúde. O governo quer, com a CSS, criar uma fonte para os gastos com a Emenda, que prevê mais R$ 23 bilhões para o setor, ao invés de usar os recursos já disponíveis para tanto.

Inspirados no afoxé baiano e na grife carioca, um grupo de Brasília criou o bloco “Filhos Daspu”, e desfila sempre que há necessidade ou conveniência para os seus integrantes ou para os grupos que eles representam.

A propósito, clique aqui, para acessar o link com a lista de nossos representantes que votaram a favor da criação da CSS, um imposto desnecessário, caso o governo não malversasse os recursos disponíveis de uma forma tão irresponsável e despudorada, como nunca antes na história deste país...

28 Maio 2008

Odisséia



O amor foi à função.
Bebeu, cantou e bailou: estava muito excitado, tiveram de levá-lo para casa e prendê-lo no quarto para que repousasse.
No dia seguinte o amor bailou e cantou sem beber, e era sempre primavera nos seus modos e falas.
O amor viajou, voltou, fazia piruetas, trocadilhos, esculturas, criava línguas e ensinava-as de graça. Todos o queriam para companheiro, paravam de guerrear para abraçá-lo, jogavam-lhe moedas, que ele não apanhava, gerânios que oferecia às crianças e às mulheres.
O amor não adoecia nem ficava mais velho, resplandecia sempre, havia quem o invejasse, quem inventasse calúnias a seu respeito, o amor nem ligava.
Cercaram sua casa de madrugada, meteram-lhe a cabeça num saco preto, conduziram-no a um morro que dava para o abismo, interrogaram-lhe, bateram-lhe, ameaçaram jogá-lo no precipício, jogaram. O amor caiu lá embaixo, aos pedaços, mas se recompôs e foi preso outra vez, aplicaram-lhe choques elétricos, arrancaram-lhe as unhas, os dedos, o amor sorria e quando não podia mais sorrir, gritava numa de suas línguas novas, que não era entendida. E desfalecendo voltava à consciência; e torturado outra vez, era como se não fosse com ele. Quebraram o amor em mil partículas e ninguém pode ver as partículas.
Foi sepultado formalmente no fim do mundo, que é pra lá da memória. Ninguém localizou, mas todos falavam nele, o amor virou um sonho, uma constelação, uma rima e todos falavam nele.
E ressuscitou no terceiro dia.
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p.s.: Odisséia, Carlos Drummond de Andrade
Mestre Drummond, mais uma vez, me traduz integralmente.
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