sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A Casa do Rio Vermelho

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No esmaecer do século passado, lá pelos meus 6 anos, eu morava na Rua Conselheiro Pedro Luiz, no Rio Vermelho e algumas vezes, em nossos passeios pelo bairro, nos seus infinitos sobe e desce de ladeiras, minha mãe apontava para uma mansão da Rua Alagoinhas e dizia para mim: - Olha, lá estão o vovô e a vovó, dá um tchauzinho para eles !!! Lembro remotamente de alguns sorrisos, acenos e gentilezas.

Mal sabia que o casal de simpáticos velhinhos eram Zélia e Jorge, e eles seriam mais tarde, por intermédio dos livros, uns dos meus mais queridos heróis... O amado Jorge, o escritor que foi preso e teve seu "Capitães de Areia" queimado em preça pública pelos milicos da ditadura Vargas... A doce e determinada Zélia, autora de "Anarquistas, graças a Deus"

Zelia registrou mais tarde em "A Casa do Rio Vermelho" o período em que viveram naquela mansão, e que foram meus vizinhos... Jorge, que teve suas cinzas jogadas na mansão, lá viveu até 2001, ano de sua morte. Zélia morreu em 2008 e também lá suas cinzas foram espalhadas.

O grande escritor, o ícone brasileiro, o orgulho baiano, o velho comunista, não viveu para ver que por conta da ganância, torpeza e vilania de muitos, que acreditávamos estar nos representando, vivememos um dos períodos mais sombrios de nossa história.



Sorte que Jorge não precisou testemunhar isto..

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