sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Um grito de silêncio

O grito, Edvard Munch







Os dois últimos posts deste blog tratavam do assunto violência e Paz . Não obtive a repercussão desejada, as pessoas em geral , por mais bem-intencionadas e esclarecidas que sejam, parecem se sentir melhor lendo e falando sobre coisas mais leves.


Hoje, quem não tem palavras sou eu.


Restam apenas uma constatação e uma pergunta.


A constatação: O menino de 6 anos que se salvou de um parto difícl , assim como o bebê que não chegou a nascer devido à falta de atendimento adequado, que exemplifiquei aqui em "Indiferença: A maior violência ", assim como o menino de 6 anos, brutalmente assassinado na noite anterior, são filhos de um mesmo Criador e também são vítimas do mesmo tipo de indiferença.


A pergunta: qual é o antídoto, o melhor antídoto para tanta brutalidade, para tanto desprezo pelo próximo, para tanta violência?


Por enquanto, deixo vocês com um grito de indignação e um silêncio de condolência. Um grito de silêncio.

7 comentários:

Tamara disse...

É o meio que nos transforma? Ou somos nós quem transformamos o meio?

Este quadro conhecidíssimo, sempre, me traz a sensação de que O GRITO é uma pessoa louca, transtornada, perdida, que pede ajuda; o andante, lá atrás, passivo, não nota ou finge não notar o outro na ponte. E este quadro nós vemos corriqueiramente: "pais e mães" enlouquecidos, enquanto "nós" passivos, andamos enganados na crença de que o lado da ponte será sempre a mesma. Entretanto, um dia, a ponte pode virar e "nós" seremos os loucos e o os outros passivos.

Às vezes, penso que o melhor antídoto seria passar a borracha na mente humana. Recomeçar. Mas ao iniciarmos as atividades mundanas logo cairíamos na mesma situação de hoje.

Às vezes, penso que o melhor antídoto seria reagirmos, acordarmos do sono progundo da passvidade. Mas...

... não sei. Não sei de verdade, caro Adão, penso, penso e os meus pensamentos me levam a um único lugar:

À DESESPERANÇA!

BEATRIZ MENDES disse...

Foi exatamente este sentimento que eu tive quando soube da notícia através da imprensa. Não parei de chorar. Indignação e desesperança em face aos fatos. Condolência com a família do menino. Lembrei logo do seu último texto...E sempre que a notícia é veiculada na tv, rádio ou internet a desejo de chorar volta. Ele só tinha 6 anos. E fizeram com ele o que não se faz com nenhum animal.
Adão, estou chorando agora. Não sei responder à suas perguntas e não sei também onde vamos parar.

Bia

CRISTIANE LINS disse...

Se você não tem palavras, o que dizer de mim??
Estou chocada também e nestas horas bate mesmo uma desesperança em relação à tudo.
Sinceramente, a situação do Rio de Janeiro já passou do limite do insuportável.

beijo
Cris

ANA PAULA disse...

Adão
Nenhuma prisão nem castigo, nada que se faça aos criminosos que fizeram esta covardia com a criança, será suficiente o bastante para eles.

Eu não consigo acreditar que sejam seres humanos, de carne e osso!

Eliana disse...

Não tenho condições emocionais de comentar esse assunto! Do fundo do coração queria ter escondido a cabeça, como avestruz, para não ter tomado conhecimento. Não me envergonho de dizer isso. É o que sinto!

Lidiane disse...

Adão.

Estava na rua quando ouvi pessoas comentarem o assunto.
"Isso é crime pra pena de morte".
"O sujeito que fez isso deveria morrer a pauladas..."

Pois é, não acreditei no que ouvi.
Como viver em uma sociedade mais justa quando quem quer justiça é tão cruel quanto quem mata?

O que penso?

Que indignação é importante. Mas, que não adianta ficar só no campo do pensamento.
Lembra do indigente queimado no meio da rua? Do bebê jogado no rio? Lembra do assalto no ônibus? Da chacina na Candelária? Do massacre dos sem-terra no Pará?
Ninguém lembra, porque o tempo passa e novas humilhações, derrotas e tragédias acontecem.
Então, o sentimento de impotência cresce e nada continua acontecendo além de humilhação, derrota e tragédia.
Uma coisa aprendi, só sente a dor da pele, quem de fato "sofre a queimadura".

Nossa imobilidade é fruto da educação do "salve-se quem puder".
Cobrar, ser solidário e lutar deveria ser ensinado nas escolas e EM CASA.
Sem isso, duvido que o mundo mude.
Ainda acredito na frase batida de que "quando eu mudo, o mundo muda".
Acredito, de verdade, que a solução pra esses absurdos cotidianos vem da estrutura de qualquer sociedade: educação infantil.
Assim, teremos um adulto consciente, respeitoso e digno. E, que aprendeu desde cedo que viver viver em paz, é também viver pro outro.

Beijo pra você.

Cris disse...

Olá Adão..estamos todos indignados. Hj a noticia saiu aqui no noticiario online na Noruega, mas eu já estava acompanhando. Ouvi dizer que um dos rapazes, que tinha uma tatuagem no braco, faz parte de um grupo muito violento.
Pudera eu conseguir expressar tamanha indignacao e dor , ao imaginar sendo meu filho.Pudera eu encontrar uma luz no final do túnel para resolver o problema da violencia.

Fico a pensar o que poderiamos fazer para que esta violencia acabasse..ou diminuisse. Nao acho que há solucao para o Agora..apenas para o Amanhã. Ao meu ver nao adianta preder...já sabemos das condicoes das cadeias no Br...alguém preso sai pior do que entrou...se sair.
A mudanca tem q ser muito grande..e tem que ter o apoio da grande maioria.

Eu sei, gde parte da violencia acontece por causa da pobreza... do capitalismo...do egoismo.... Algumas coisas são pessoais..temos que trabalhar dentro de nos mesmos...e isso a gente tem que decidir fazer por nos....temos que educar nossos filhos para o bem. Outras coisas dependem mais da sociedade..do governo....
Pra mudar logo precisamos comecar hj...e primeiro mudamos a nós mesmos....

REsponder com violencia nao adianta...acho que a mudanca vai ocorrer lentamente..mas vai acontecer..eu acredito nisso. talves eu nao veja..mas quem sabe meus netos?!

O governo precisa dar mais chances aqueles que querem trabalhar..estudar.. os pais precisam se colocar no papel de Pai/Mãe ...

Falei falei e acho quem nem disse nada ...desculpe.

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