sexta-feira, 19 de maio de 2006

Morte plena

Eu morri
tão completamente que de mim nada restou...
como quem muda de país
ou de religião,
peguei os despertadores
e joguei-os fora

nenhuma dor
ou ilusão,
nem desespero
nem saudade,
nenhuma foto
ou cartão,
nem verso
nem careira de identidade,
nenhum mínimo vestígio sequer ficou...

Não a morte das batalhas
fúria plena de insanidade
Nem a morte dos covardes
fuga plena de medo
eu morri por vontade própria
morte tão plena de vida!

Eu morri
tão definitivamente como quem fecha um livro
como quem troca de roupa
ou de penteado
peguei as convicções
e joguei-as na cova

nenhuma certeza
ou acomodação,
nem gargalhada
nem lágrima,
nenhuma injúria
ou oração,
nem vela
nem fita amarela,
do todo opaco brilho algum ficou...

Não a morte acidental
acaso pleno de fatalidade
Nem a “petit mort” dos franceses
dor plena de prazer
eu morri “comme il fault
eu morri por amor à vida!

8 comentários:

Lidiane disse...

"é preciso morrer, pra germinar".
Não é a morte um renascimento fingido?

Beijos.

Lidiane disse...

"é preciso morrer, pra germinar".
Não é a morte um renascimento fingido?

Beijos.

Adão Flehr disse...

É este o sentido, querida Lidiane...

O que será mais difícil: ter uma vida vazia ou uma morte plena?

Bjs,
Adão

Tamara disse...

Como dizia Álvares de Azevedo:

"Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!"

......

Aniversariou: morreu e nasceu.

......

Já tive diversas mortes, antes mesmo de completar 1 ano {rs}.

Anônimo disse...

Estava sumido!! melhorou?
Renasceu né?
Gostei do poema!!

Beijos/Léa

Anônimo disse...

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