quarta-feira, 29 de março de 2006

Palavras insones

Nesta noite vazia
de sonhos e esperanças
pouso o copo vazio de bebida,
de lenitivo ou veneno,
na mesa oca
e procuro palavras insones
que façam companhia
a este papel inerte
e branco

Onde estão? na soleira vazia
da casa, no coração deserto
do peito de carne
que bate involuntário,
como o tiquetaquear
dos relógios da sala
de estar

Estarão no limbo à espera
de algum chamado grave?
Estarão suspensas, encantadas,
aguardando a hora exata,
caprichosa de aparecerem?

Não estão no dicionário, eu sei
tampouco estão no fundo do copo
vazio, nem na soleira da casa.
Estarão no tique-taque dos relógios?
Estarão dentro do meu coração?

Onde estão? chamo-as pelo nome,
aceno, pisco os olhos,
conduzo algumas pelas mãos,
esforço inútil,
pois que estas deusas
caprichosas,
melindrosamente,
não se deixam conduzir
por onde não desejem ir.

Não sou eu que as escolho, garimpo,
reúno e escrevo. As palavras,
estas damas lascivas e coerentes, sãos elas
que me escolhem, me recolhem,
Conduzem-me pelas mãos e me levam onde
eu nunca sonhei estar.

4 comentários:

Adão Flehr disse...

Escrito nesta noite vazia, há quase meia hora atrás, sem nenhuma idéia de onde as palavras iriam me levar...

Dom disse...

as palavras, verdadeiramente, conduzem nossa alma.

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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