quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

A gaiola dourada

Eu sempre olhava para o céu. Procurava compulsivamente, sem saber exatamente o que. Um dia avistei singrando a linha do horizonte num harmonioso vôo, uma ave admirável, uma fênix altaneira de nome AMOR.
Foi a mais bela visão de todas em minha vida, e após o mágico momento em que a vi, passei a desejá-la ardentemente.
Passei a dedicar meus tempos livres a uma incessante busca desta ave pelos céus...
Depois, passei a dedicar todo o restante do meu tempo nesta busca... Já não trabalhava mais. Mal me alimentava. Dormia e acordava com este único pensamento. Depois, nem dormia mais...
Modifiquei todos os meus hábitos, reformei minha casa, reformulei meus conceitos, renovei meu coração... Engrinaldei um jardim no meu quintal em que flores, frutos e sementes diversas estavam a aguardar a visita de minha desejada ave.
Quando as minhas esperanças já desapareciam, ela apareceu: bela e lépida, pousou em meu jardim, comeu de minhas sementes espalhadas no chão e voou.
No dia seguinte e nos demais dias repetiu-se o mesmo ritual: ela visitava a minha casa e sentia-se confiante na minha presença. Estávamos tão próximos que a alimentava em minhas mãos.
Aconteceu então que me abateu um terrível temor de perder o que eu havia conquistado. Tremia ao imaginar que não teria mais comigo a minha ave amada.
Adquiri então, a mais bela e confortável gaiola dourada que o dinheiro podia comprar.
No dia imediato, enquanto a segurava em minhas mãos, coloquei-a na gaiola.
Feito. Meus temores foram serenados, eu me sentia completo pois já possuía o que tanto havia buscado: o AMOR!
Dormia e acordava embevecido por seu canto, apesar de percebê-lo um tanto triste.
Ao sair para o trabalho e após retornar alimentava-a com a mais pura ração, as frutas mais frescas, a água mais límpida.
As nossas vidas estavam, enfim, entrelaçadas e eu regozijava de tanta ventura.
Porém, o seu canto foi ficando escasso dia após dia, até desaparecer...
Já não se alimentava nem bebia água, tampouco voava pela ampla gaiola dourada como o fazia antes...
Silenciou-se, aquietou-se, definhou... e morreu...
Todos os meus sonhos e doces esperanças esvaíram-se e fiquei a perguntar a mim mesmo e a todos os deuses, como isto pode acontecer, se eu oferecia tudo o que eu julgava necessário para a sua vida?
Enterrei a minha ave no mesmo quintal que construí para conquistá-la.
Vendi a gaiola dourada.
E entre a infelicidade e a desilusão, quando muitos (os delicados) desejariam morrer também, tentei refazer a minha vida e voltei a olhar novamente para o céu e a suspirar...
E fiquei a pensar, quem sabe dou sorte e encontre outra ave, tão bela e com o mesmo nome?
Se isto vier a acontecer já sei o que fazer:

IREI COMPRAR UMA GAIOLA MAIOR!

3 comentários:

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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